Os sucessos <br>dos vendedores algarvios
A tarde está prestes a terminar. Três jovens militantes da JCP aproximam-se do Fórum Algarve, em Faro, carregados com dezenas de exemplares do Avante! publicado naquele dia. Pessoas entram e saem, entre o movimento de lojas e restaurantes. À porta, os jovens dirigem-se a quem passa, valorizando o jornal e os temas desenvolvidos naquele número. A princípio poucos compram, mas passada meia hora as vendas aumentam. É então que se aproximam os seguranças, pedindo para se retirarem. Eles recusam-se, argumentam que estão fora do centro comercial e lembram que existe um parecer do Tribunal Constitucional que define que é legal a venda em todos os espaços públicos. Os seguranças insistem, os jovens pedem para ser levados à administração. Se até aqui o desenrolar da história era previsível para qualquer activista comunista, o desfecho será menos. Menos previsível e muito mais agradável.
«No percurso entre a porta e a administração fomos rodeados por seguranças, como se tivessemos roubado alguma coisa», lembra Miguel Beirão. A conversa com um administrador que se seguiu durou cerca de uma hora. «Com a força dos nossos argumentos e das nossas convicções, o senhor ficou sem razão. Até entrámos um bocado na brincadeira com ele: “Vocês baptizam este sítio com a palavra ‘fórum’, falam em participação e nas pessoas, dizem que querem tornar isto no centro da cidade e depois impedem a liberdade de expressão? Falam da função social das empresas e querem impedir-nos de exprimir a nossa opinião, ainda por cima o Avante!, grande exemplo da luta pela liberdade e pela democracia? Não é uma decisão um pouco ditatorial, procurando estar à parte da realidade?”», conta Paulo Marques, membro da Comissão Política da JCP.
O administrador usa a propriedade privada como argumento. «Sempre com respeito e educação, fomos respondendo: “Mas isso significa que, se entrar em propriedade alheia, me podem fazer tudo o que quiserem? Mesmo num espaço privado, há leis gerais e direitos fundamentais. Falámos sobre a Constituição e o senhor perdeu os argumentos. Sem saber o que dizer e não conseguindo impedir a venda, comprou um Avante!. “ Se é por isso, até eu compro”, disse ele.»
O administrador paga um euro e dez cêntimos e fica com um exemplar do jornal. De regresso ao centro de trabalho do PCP, os jovens comunistas lamentam as vendas que poderiam ter feito à porta do centro comercial durante aquele tempo, mas ficam satisfeitos com a vitória. Nessa noite realiza-se em Faro um jantar comemorativo do 75.º aniversário do Avante!. Velhos camaradas recordam histórias da clandestinidade. Miguel Beirão conta o que se tinha passado uma hora antes.
Lembrando aquele dia, Tiago Jacinto, da Direcção Nacional da JCP, valoriza a motivação que sentiu com a venda do Avante! ao administrador do Fórum Algarve. «É uma prova de que conseguimos chegar às pessoas. É de continuar», salienta. «Isto prova que, mesmo em situações que podem parecer difíceis, podemos conseguir resultados. Com esforço, dedicação e trabalho o Avante! até se vende aos administradores», acrescenta Paulo Marques.
Leitores
Tiago Jacinto participa frequentemente em vendas do Avante!. Mas, mais do que vendedor, ele é leitor. «É um jornal diferente. Tem informação que os outros não têm, como a luta de trabalhadores nas empresas. É um jornal bastante completo... e serve para a nossa formação ideológica.»
Paulo Marques valoriza «o Avante! como instrumento que utilizamos para conhecer questões que nos permitem ir ao confronto no dia-a-dia, na conversa. Quando nos perguntam sobre problemas concretos, sem o Avante! temos muito mais dificuldade em responder. Há muitos materiais do Partido, mas é muito importante a regularidade do Avante! para dar resposta. Um quadro da JCP que leia o Avante! está muito melhor armado para o combate. É o nosso aliado.»
Miguel Beirão considera que «o Avante! é um jornal que nos educa e nos dá muita informação. Mostra a nossa realidade, põe o dedo na ferida. Antes de o ler era mais pobre. Hoje sou muito mais rico em informação, é uma grande escola. Tive a felicidade de me apresentarem o Avante!... e casei com ele. E é um bom casamento.»
O jovem militante recorda o dia em que os colegas se interessaram mais do que o habitual pelo jornal que tinha na sua secretária. «Andavam por ali e todos deram uma vista de olhos. O meu director apercebeu-se e, na minha ausência, deitou o Avante! no lixo. Depois fui falar com ele e desmentiu que tinha sido ele, mas colegas garantem que foi. É sinal que o Avante! mexe com muita gente. Mesmo sem o ler, o meu chefe dá-lhe valor.» O valor da união e do esclarecimento dos trabalhadores.
«No percurso entre a porta e a administração fomos rodeados por seguranças, como se tivessemos roubado alguma coisa», lembra Miguel Beirão. A conversa com um administrador que se seguiu durou cerca de uma hora. «Com a força dos nossos argumentos e das nossas convicções, o senhor ficou sem razão. Até entrámos um bocado na brincadeira com ele: “Vocês baptizam este sítio com a palavra ‘fórum’, falam em participação e nas pessoas, dizem que querem tornar isto no centro da cidade e depois impedem a liberdade de expressão? Falam da função social das empresas e querem impedir-nos de exprimir a nossa opinião, ainda por cima o Avante!, grande exemplo da luta pela liberdade e pela democracia? Não é uma decisão um pouco ditatorial, procurando estar à parte da realidade?”», conta Paulo Marques, membro da Comissão Política da JCP.
O administrador usa a propriedade privada como argumento. «Sempre com respeito e educação, fomos respondendo: “Mas isso significa que, se entrar em propriedade alheia, me podem fazer tudo o que quiserem? Mesmo num espaço privado, há leis gerais e direitos fundamentais. Falámos sobre a Constituição e o senhor perdeu os argumentos. Sem saber o que dizer e não conseguindo impedir a venda, comprou um Avante!. “ Se é por isso, até eu compro”, disse ele.»
O administrador paga um euro e dez cêntimos e fica com um exemplar do jornal. De regresso ao centro de trabalho do PCP, os jovens comunistas lamentam as vendas que poderiam ter feito à porta do centro comercial durante aquele tempo, mas ficam satisfeitos com a vitória. Nessa noite realiza-se em Faro um jantar comemorativo do 75.º aniversário do Avante!. Velhos camaradas recordam histórias da clandestinidade. Miguel Beirão conta o que se tinha passado uma hora antes.
Lembrando aquele dia, Tiago Jacinto, da Direcção Nacional da JCP, valoriza a motivação que sentiu com a venda do Avante! ao administrador do Fórum Algarve. «É uma prova de que conseguimos chegar às pessoas. É de continuar», salienta. «Isto prova que, mesmo em situações que podem parecer difíceis, podemos conseguir resultados. Com esforço, dedicação e trabalho o Avante! até se vende aos administradores», acrescenta Paulo Marques.
Leitores
Tiago Jacinto participa frequentemente em vendas do Avante!. Mas, mais do que vendedor, ele é leitor. «É um jornal diferente. Tem informação que os outros não têm, como a luta de trabalhadores nas empresas. É um jornal bastante completo... e serve para a nossa formação ideológica.»
Paulo Marques valoriza «o Avante! como instrumento que utilizamos para conhecer questões que nos permitem ir ao confronto no dia-a-dia, na conversa. Quando nos perguntam sobre problemas concretos, sem o Avante! temos muito mais dificuldade em responder. Há muitos materiais do Partido, mas é muito importante a regularidade do Avante! para dar resposta. Um quadro da JCP que leia o Avante! está muito melhor armado para o combate. É o nosso aliado.»
Miguel Beirão considera que «o Avante! é um jornal que nos educa e nos dá muita informação. Mostra a nossa realidade, põe o dedo na ferida. Antes de o ler era mais pobre. Hoje sou muito mais rico em informação, é uma grande escola. Tive a felicidade de me apresentarem o Avante!... e casei com ele. E é um bom casamento.»
O jovem militante recorda o dia em que os colegas se interessaram mais do que o habitual pelo jornal que tinha na sua secretária. «Andavam por ali e todos deram uma vista de olhos. O meu director apercebeu-se e, na minha ausência, deitou o Avante! no lixo. Depois fui falar com ele e desmentiu que tinha sido ele, mas colegas garantem que foi. É sinal que o Avante! mexe com muita gente. Mesmo sem o ler, o meu chefe dá-lhe valor.» O valor da união e do esclarecimento dos trabalhadores.